segunda-feira, 18 de abril de 2011

Crónicas E Poemas #3 A Maior Flor do Mundo (A MINHA Flor)

Salut!
Há uns tempos, fui desafiada por alguns professores meus a escrever um texto inspirado na única história que o grande José Saramago escreveu para crianças. A história, "A Maior Flor do Mundo", tem até uma curta-metragem, feita com bonequinhos de plasticina. 
Como adorei mesmo escrever a história, e fiquei bastante satisfeita com ela, decidi partilhá-la com vocês, que não lendo, me lêem.



E pronto, o menino foi levado para a aldeia novamente.
O que fizera, era inexplicável! Transformara a secura imensa da aldeia numa flor, a maior flor do mundo.
Como o conseguira fazer, só as crianças o conseguem imaginar, pois a beleza, a esperança e o sonho de certas situações apenas vivem na mente das crianças.

O menino, como todos os meninos, gostava de brincar. Às aventuras, aos carrinhos, ao berlinde, mas ali, naquela secura de aldeia, não havia mais crianças com quem pudesse brincar.
Todos os dias o menino se lembrava da flor, da SUA Flor.
Os pais, com medo que o menino se perdesse (vá-se lá saber porquê, se ele já tinha ido e voltado!) não o deixaram mais ir ter com a sua flor.

- Mas Pai! Aquela é a MINHA Flor! Aquela que eu criei, e a minha única amiga…
- Filho, sabes bem que eu e a Mãe temos medo que te percas! Não podes ir. Se te acontece alguma coisa… nem quero pensar.
- Mas Pai! Por favor…

Mas tudo era em vão.
Até que um dia, o menino, não aguentando mais as saudades da sua Flor, decidiu ir. Simplesmente ir, e não mais voltar. Queria ir viver para ao pé da sua Flor.

Passou pelos extensos olivais, por sebes cobertas de campainhas brancas. Atravessou os bosques de altos freixos, completamente desertos, silenciosamente assustadores, mas nada disso afastou da sua cabeça a felicidade que teria ao ver a sua Flor.
Sabem, quando metem alguma coisa na cabeça, as crianças podem nunca mais conseguir esquecê-la; nem mesmo quando são adultos. É por isso, que às vezes, há adultos que decidem largar tudo e partir à aventura, porque não lhes deixaram fazê-lo quando eram pequenos.

Tudo o menino ultrapassou para poder ver a sua Flor outra vez.
E pareciam ter passado meses, anos até, só da tremenda vontade que tinha de ser feliz outra vez, perto da sua única amiga.

Entretanto, na secura da aldeia, os pais do menino deram pela sua falta.
Apenas passou meia hora, mas é o suficiente para os pais saberem onde o menino foi.

- Tenho a certeza que foi ter com a Flor!
- Mas não pode! E se lhe acontece alguma coisa? Porque o deixaste ir?
- Não deixei, acho que ele fugiu... – diz o Pai, tanto preocupado como resignado.

E assim partiram à procura do Menino. Passaram pelos extensos olivais, mas, quando se aproximaram das sebes de campainhas brancas, disseram:

 - De certeza que não seguiu por ali!
- Sim, tens razão.

E seguiram pelo caminho contrário.

É que quando os adultos voltam a um sítio, àqueles sítios que para eles não estão perfumados de sonho, maravilha e saudade, não o conseguem reconhecer.

O Menino continuava a sua jornada.
Sabia (ou antes, sentia) que estava já a chegar perto da sua Flor.
É assim, quando estamos perto de um amigo, especialmente aqueles de que temos saudades, conseguimos senti-lo. Pois é, a amizade é assim TÃO poderosa.

Enfim, subira a encosta, o último obstáculo que o separava da sua flor.
E lá estava! A Sua Flor. A sua maior (única!) amiga.
Mesmo sendo uma Flor, conseguia compreendê-lo melhor que ninguém.

Chegando junto do caule, ajoelhou-se, e, cansado, mais uma vez, adormeceu.

Os Pais, preocupados, mas cada vez com mais esperança de encontrar o filho, lá iam, (pensando eles que estavam seguindo pelo caminho certo).

1 hora passada, e os Pais, ainda sem saberem que seguiam por um caminho que não os levaria a lado nenhum.

O Menino, já acordado, debaixo da sombra da sua grande Flor, falava, conversava, contando sonhos que nunca sonhou, brincadeiras que nuca brincou e amigos que nunca conheceu.
E a Flor, respondia-lhe, com um breve balançar a um vento inexistente.

E logo logo, já anoitecera.
O Menino nem reparara no pôr-do-sol, é isso que acontece quando estamos em boa companhia, e com os amigos, nunca damos pelo tempo passar.

E os pais, lá continuavam, procurando por tudo onde se podia procurar.
E começavam a aperceber-se (finalmente!) que podiam estar no caminho errado. E que aquele sítio, afinal, não tinha assim tanta magia.

- E se nos enganámos?
- Não, não pode! Eu ainda me lembro do caminho!
- Mas… Ele não está aqui!

E por muita insistência do Pai, lá voltaram, todo o caminho palmeado para trás.

O Menino, esse, continuava a conversar e a brincar com a sua Flor, mal sabendo que os Pais, no outro lado da aldeia, estavam à sua procura.
A noite era escura, mas a Flor, (era a maior Flor do Mundo! Era mágica!) iluminava os sorrisos e brincadeiras partilhadas com o Menino.

Os Pais, já no caminho certo (ao fim de tanto erro), seguiam em busca do Filho, preocupados com a escuridão.
Mas eis que, enquanto atravessavam o bosque, cheio de altos freixos, vêem uma luz muito forte. Tão forte que não conseguiam manter os olhos abertos. Interrogaram-se sobre o que seria, sem nunca desconfiar que a luz tão forte poderia vir da Flor.

Andaram, custosos, do cansaço, mas sem nunca perder a esperança de vir a encontrar o Menino.
Ao chegarem ao derradeiro obstáculo, a encosta, vislumbraram a cena:

O Menino, encostado ao caule da Maior Flor do Mundo (da Sua Flor, pois então), sorria, e trauteava, uma canção por nunca ninguém ouvida.

Os Pais, perceberam então (finalmente!) o quanto a Flor significava para o Menino.
E, sorrindo, sentaram-se em frente do Menino, enquanto sentiam, o sonho do Menino no ar.


Alexandra Marques


Vou... (Porquê? Porque Sim!)

Crónicas E Poemas #2 O Viajante


O viajante parou.

Numa rua deserta.
Estava cansado. Cansado de tudo.
Não parara um segundo desde que saíra. 
Os ares estavam pesados, como que adivinhando mais uma chuvada, ou talvez algo mais. E a vegetação que via a seu lado era mortiça, como se nunca tivesse sequer florescido. Ouvia algo, mas talvez fosse a sua imaginação. 
Não se lembra como fora ali parar... Não tinha nada a não ser um casaco, uma caneta e um caderno. E um chapéu-de-chuva imaginado.
Teria começado esta viagem para escrever? Desenhar? Fugir? 
Fugir de quem? De quê?
Se si próprio, talvez.
Mas nem isso sabe...
O viajante não fora feito para entender os recantos da sua mente. Retorcida e complicada. Como a arquitectura de uma igreja.
Sentou-se. No chão. Ali mesmo. No asfalto molhado e frio.
Sentou-se, para nunca mais ter de se levantar. 
Para ficar ali para sempre. Isolado de tudo, no sossego.
Começara a chover.
A chuva não o incomodava, muito pelo contrário, sempre achara que lhe fazia bem. Para limpar as ideias, e levar todo o pessimismo numa enxurrada. 
Sim, a chuva sempre lhe fizera bem.


Alexandra Marques

Vou... (Porquê? Porque Sim!)

Crónicas E Poemas #1 Normal

Serão suficientes, meras palavras,
Gestos de papel e sons longínquos?
Gostava de te dizer que somos
Pessoas normais, mas o que é o normal?
Apenas uma palavra que aprendemos a dizer por nada;
Por sermos todos feitos a papel químico.

Mas hoje, embora embargada,
E embriagada pelos bizarros normais,
Sei que ainda posso dizer
Que as palavras que leio no dicionário,
São apenas letras que se juntaram
E que às quais aprendemos a dar um significado,
Seja lá o que isso for.









Alexandra Marques






Vou... (Porquê? Porque Sim!)

Porquê? Porque Sim!

Começo por começar.
Começo por dizer que escrevo. Mal ou bem, não interessa, mas escrevo.
Porque é que escrevo? Porque gosto de o fazer, porque preciso de o fazer.
Escrever é quem eu sou e é aquilo PORQUE sou.

Sou feita de palavras (não somos todos?). O meu nome, tem palavras: Alexandra Marques.
O meu blog é feito de palavras, e tudo o que eu aqui escreverei terá palavras.

Se me perguntarem se sei escrever, digo desde já que não. Escrever não é uma coisa que se saiba, é um coisa que se sinta. Sinto a escrita? Às vezes sim, outras vezes não. Às vezes estou horas a escrever, com as palavras que li num Dicionário, outras vezes escrevo três linhas, e chega.

Podem perguntar o que quiserem, e eu responderei (incógnita ou não, isso logo se vê!)

Tenho um outro blog, da "colecção" Porque Sim. Chama-se Eu Sonho Porque Sim, porque ao fim e ao cabo, é isso que fazemos: Sonhamos Porque Sim, (Não) Escrevemos Porque Sim.
A vida é feita de Porquês? e de Porque Sim. 
No blog Eu Sonho Porque Sim, falo de coisas mais triviais: maquilhagem, por exemplo.
Falo de mim, e da minha vida, porque também preciso de escrever assim, não é? Porquê? Porque Sim.

E pronto, já sabem um pouco mais sobre o Blog, espero.

Vou... (Porquê? Porque Sim!)